Leituras:
1ª - Act 2, 1-11
Salmo - 103, 1ab e 24ac. 29bc-30. 31 e 34
2ª - 1 Cor 12, 3b-7. 12-13 ou Gal 5, 16-25
Evangelho - Jo 20, 19-23 ou Jo 15, 26-27: 16, 12-15
Comentário feito pelo Padre Vitor Gonçalves: Tens tantos nomes, Ó Espírito,
mas de todos prefiro o vento,
o ar em movimento que agita tudo o que toca
e envolve em dança as folhas das árvores
e desalinha os cabelos longos das raparigas.
Vento que transportas os pólens
e assobias nas frestas da casa e da alma
murmurando palavras que só a vida ajuda a decifrar.
Vento e vendaval a levar e a trazer nuvens,
a agitar as águas em ondas que beijam os pés nus na areia,
e a enfunar as velas que dão asas aos barcos.
Vento que atiças o fogo adormecido
e avivas a luz da vela com risco de a apagares
se não a protegemos com a mão.
És o sopro com que Deus animou o barro,
o primeiro respirar e o último suspiro,
este vai e vem que nos mantém vivos
e nos traz a pestilência e o perfume.
Brisa da tarde que corrias no paraíso
quando Deus e o homem passeavam juntos,
que aquietaste as águas do dilúvio
e secaste o mar para a libertação dos hebreus.
És a brisa em que Elias descobriu Deus
o vento obediente à voz de Jesus sobre a tempestade,
o trovão que encheu de força os apóstolos.
Vem, de novo e sempre, sacudir-nos o pó do hábito,
espalhar-nos os papéis arrumadinhos e calculados
da paralisia dos nossos corações.
Empurra-nos para diante,
para o encontro surpreendente do outro,
para a coragem de não morrer
por medo de tentar ser e fazer alguém feliz.
Reanima-nos boca-a-boca
e insufla-nos o ar purificado e os perfumes
do amor criativo e fresco de que és abundante.
Vem, ó Vento-Espírito!
P. Vítor Gonçalves
in VOZ DA VERDADE 27.05.2012